quarta-feira, 4 de abril de 2012

Amor a vida....

Apaixonei-me pela vida
e ela disse não.
Estava em outra praia, curtindo outro litoral.
Então entreguei as pontas
e nem o fio ela puxou.
Achou que eu brincava de anzol com ela,
mas era verdade,
não tinha teatro, não tinha show.
O filme só tinha uma cor:
preto ou branco,
solto ou preso.
Uma dança sem peixes,
um aquário sem música.
As pontas estão aí...
Entreguei.
Amei de novo a vida nos olhos seus.
- brincando ela sorriu...
Silenciosamente disse não.

Karla Dornelas

Pensamentos tolos

Odeio esses pensamentos tolos!
Noturnos, insultos aliados a lua.
Meus passos vigiados na cama,
onde minha mente não pode escrever,
passam a lista do dia-a-dia
a tarefa, a decoração, a pintura e o banheiro pra lavar.
Passa você toda hora,
que não encosta em mim.
Calor de distância ausente,
não sente?
Odeio esses pensamentos tolos,
não mudam meu Estado,
não me trazem você.





Karla Dornelas

Olhos

Vejo a foto clandestina
com meus olhos cansados.
Retratos tão lindos.
Fragmentos de uma vida
desenhando seu sorriso,
ofuscando a tristeza que vaza
pelas mãos caídas no papel.
Tão minhas, tão finas,
desejosas de histórias reais,
vivas, mas um vivo intenso
que chega a ter cor:
cor de risada, cor de lágrimas
cor de você, dos seus olhos
e os meus ao te ver tão... Tão,
cor de mato descansado.


Karla Dornelas

Despejo de alegria

Intensamente amor,
vibrante como sangue,
mais do que interessantes histórias
de príncipes e princesas.
Real como a faca afiada que
cora meu dedo sem fazer nada.
Vivo, calmo e cálido,
pulsante, corrente e vibrante,
dançante como o último tango em Paris.
Alaga meus olhos se em ti vejo tristeza.
Não é fome o que te mata.
É mal amar de um dia.
Volte em mim um peso suave
que recosta em meu peito, e em seus olhos,
despejo de intensa alegria.
Não solto por hoje, és tão minha simpatia! 


Karla Dornelas